CRACOLÂNDIA
   Flávio  Saraiva  │     29 de março de 2014   │     10:44  │  0

CRACOLÂNDIASempre questionei como poderia o poderoso Estado de São Paulo permitir o funcionamento da Cracolândia, local de reunião de grande número de traficantes e usuários de crack, no Centro de sua Capital.

Estive lá para conhecer aquela realidade, numa manhã ensolarada, com temperatura amena, observando cerca de 200 usuários – corpos cadavéricos, banguelas, sujos, envoltos por farrapos, em gestual semelhante ao de urubus na carniça, cabeça baixa com olhar fixo para as mãos manipulando a pequena pedra de crack, cachimbo e fósforo. O olhar só é desviado com a chegada de traficantes fornecedores e policiais.

A prefeitura de São Paulo desenvolve na região a Operação de Braços Abertos, com foco na redução de danos aos usuários, dando-lhes a oportunidade de emprego temporário de quatro horas diárias na limpeza das ruas com pagamento de R$ 15, além de hospedagem em local apropriado e tratamento de saúde. O tempo no trabalho e na dormida confinada significa, em visão otimista, menos consumo de droga e diminuição de dano.

No outro lado da rua, o governo do Estado disponibiliza estrutura para encaminhamento de usuários que desejam se submeter a tratamento em unidades especializadas de desintoxicação e libertação da droga.

Vendo imagens anteriores, os resultados dos esforços governamentais já são observados com a retirada dos barracos dos usuários, a coleta do lixo levado e gerado por eles, bem assim, a presença constante da polícia, guarda municipal e profissionais de saúde e assistência social.

Estado e município tentam retomar território perdido pela omissão de governantes que não reagiram ao longo processo de deterioração do Centro da Capital.

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