O GRANDE NEGÓCIO
   Flávio  Saraiva  │     23 de março de 2014   │     14:01  │  4

O GRANDE NEGÓCIOO editorial da Gazeta de Alagoas de 22/03/14 – O gigantismo de uma tragédia contemporânea mostra a surpresa com os números do lucrativo negócio das drogas em Alagoas e inquietante pergunta: “Qual o poder real de uma máquina de fazer dinheiro como essa?”

O questionamento surgira depois da prisão e apresentação de pequeno grupo de criminosos traficantes com 04 kg de crack, R$ 14 mil, 02 balanças de precisão, 02 veículos e 01 revólver, estrutura básica do tráfico com capacidade de gerar faturamento mensal na ordem de R$ 600 mil, segundo avaliação de policiais.

Antes que muitos se surpreendam com o alto faturamento, apresento alguns números e as fases do processo de fabricação e comercialização da cocaína, descritos no livro O Cobra de autoria de Frederick Forsyth.

A cocaína é derivada da folha de coca plantada nas selvas da Bolívia, Peru e Colômbia, sendo necessários 375 kg da folha colhida para produzir 2,5 kg da pasta de coca, que será transformada em 1 kg de pó branco da cocaína pura, produto com maior taxa de lucro do mundo. O valor de 01 kg desse produto inicia com R$ 9 mil na fonte sul-americana chegando a R$ 160 mil no mercado consumidor final. Essa margem de lucro permite aos criminosos investir em tecnologia no refino, malhas de distribuição e suborno de autoridades governamentais. Estima-se que sejam produzidas e comercializadas 600 toneladas anuais de cocaína pura no mundo, distribuídas com preços multiplicados geometricamente nas fases de comercialização (cerca de 20).

O crack é o último produto do refino da pasta base de cocaína, resultado da adição de muitos produtos químicos – ácido clorídrico, permanganato de potássio, acetona, éter, amônia, carbonato de cálcio, carbonato de sódio, ácido sulfúrico, gasolina e outros tantos para aumentar o peso da pequena pedra. Como todo negócio criminoso, a fabricação e comercialização do crack não enfrentam nenhuma fiscalização governamental, livrando-se da gigantesca carga tributária, obrigações trabalhistas e preocupações ambientais, o contato é apenas com a polícia e justiça, em frequência bem menor, mas que geram perdas decorrentes de apreensões de produtos e prisões de gestores. Diferente do negócio formal, os criminosos controlam as perdas condenando os maus gestores em processos sumários de execução de cobrança, com reflexos nas estatísticas dos crimes contra a vida e o patrimônio – furtos e roubos de veículos e cargas, assalto a banco etc.

Antes considerada droga para integrantes da classe alta da sociedade, consumida em momentos festivos, a cocaína e seus derivados ganharam escala de produção e distribuição gigantesca, com capilaridade de vendas e entrega em todo mundo, formatando grande negócio e flagelo à humanidade de mesma ordem.

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COMENTÁRIOS
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  1. Lucas Tenório

    Prezado Dr Flavio,
    Não consigo acreditar que meia duzia de bandidos façam o tráfico de drogas de forma artesanal sem ter proteção e conchavo com figuras importantes e até mesmo estratégica dentro da estrutura de governo,quando conseguem prender um carregamento já passaram mais de dez, e geralmente são traficantes que investem numa carreira solo.
    O uso de drogas no Brasil já tomou uma proporção de guerra química haja visto o gasto de dinheiro investido na cura das consequências das drogas através das clinicas acolhedoras e até mesmo o SUS.
    Veja o que aconteceu com o iluminado secretario petista:

    O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, foi escorraçado por uma plateia irada, quando fazia palestra sobre uso de entorpecentes. Para ilustrar sua exposição, o delegado acendeu um cigarro de maconha. Bastou isso para que os ouvintes se revoltassem.
    – Se o senhor for fazer uma palestra sobre estupro, vai deitar uma mulher na mesa e estuprar? Tenha paciência, secretário, disse uma espectadora.
    O episódio se deu na noite da quinta-feira 20, em uma instituição de formação profissional. Ao acender o cigarro de maconha, Sandro Avelar teve de engolir todo o desprezo do público. Nem a intervenção de dirigentes e professores da instituição acalmou a turba. E o secretário foi literalmente enxotado.
    Em meio às vaias e palavrões, houve quem sugerisse que Sandro não só acendesse a maconha, mas que também fumasse para ficar mais rica a exposição a que se propunha fazer.

    Jamil Chade – O Estado de S. Paulo
    GENEBRA – O consumo de cocaína no Brasil mais que dobrou em menos de dez anos e já é quatro vezes superior à média mundial. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Conselho Internacional de Controle de Narcóticos, entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), em seu informe anual. A entidade também critica a
    liberalização do consumo de maconha no Uruguai e regiões dos EUA e alerta: jovens sul-americanos parecem ter uma “baixa percepção do risco” que representa o consumo de maconha.
    A SOCIEDADE BRASILEIRA NÃO AGUENTA MAIS ESSE VENENO E TANTA INCOMPETÊNCIA E CONIVÊNCIA GOVERNAMENTAL COM O TRÁFICO.HAJA VISTO QUE A POLÍCIA FEDERAL ESTÁ SUCATEADA BEM COMO TODA A ESTRUTURA DE SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA. FORA PETRALHAS TERRORISTAS.

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  2. Roberto Theodosio Brandão

    Muito bom o assunto de um comércio informal, forte e que não paga um centavo de imposto. São duas faces: O governo combate as drogas com as unhas pois está a nossa Polícia Federal sucateada e sem recursos pois não gera os mesmos. Já a PRF é geradora de recursos (multas) é que está funcionando melhor, imagino. As demais polícias dependem do seu governo de estado. O outro lado: Os traficantes do crime organizadíssimos não perdem tempo com LICITAÇÕES e com o dinheiro que possuem compram o que quiserem, fuzis, metralhadoras .50 antiaéreas, submetralhadoras e agora mísseis antiaéreos (favelas do Rio de Janeiro) já possuem. Nota-se que a diferença de poder aquisitivo e praticidade é muito grande e ganha quem está mais organizado. É uma luta muito difícil e acho que é também uma estratégia de Países para conquistar outro País. Se eu não posso invadir o Brasil militarmente, invado destruindo a juventude que em pouco tempo não serve para nada e isso a longo e médio prazo é uma estratégia inteligente. É muito dinheiro para o mal. O Brasil encontra-se num estado de degradação moral provocado pelos que poderiam dar bom exemplo, os políticos e isto é outro fator de vitória do tráfico de drogas encontrando um povo desmotivado e fraco.

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    1. Lucas tenório

      Ainda tem pseudointelectuais defendendo a liberação ou legalização da maconha.A Holanda mais precisamente em Amsterdam, onde existia espaços públicos para as pessoas fazerem uso de drogas e farmácias vendendo drogas já está na contramão das drogas pois gerou um problema muito sério se saúde pública no país e o principal o tráfico não acabou.Será que vamos permitir que se repita o mesmo erro do desarmamento que demonstrava que em países onde houve o desarmamento a violência dobrou!Quantos jovens brasileiros terão que morrer para provar que se não deu certo em países de primeiro mundo, ou será que a maconha que esses esquerdistas estão falando será em drágeas já que o ministério da saúde luta diariamente contra o tabagismo.

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    2. jonas freitas

      Concordo contigo. Por disso tudo está os interesse políticos…Eles querem debilitar a sociedade: desarmamento da população, sucatear as forças armadas. Querem Alienar a população. Esse são os verdadeiros interesses dos governos socialistas. Regime Bolivarianos…Tornar à América Latina em sistema Bolivarianos , comunistas e socialistas…

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