DECIBÉIS DA DESORDEM
   Flávio  Saraiva  │     11 de fevereiro de 2014   │     7:42  │  16

POLUIÇÃO SONORAAos 53 anos, constato que apresento alguns problemas de sociabilidade e, por isso, cada vez mais distante de grandes grupos de pessoas. As caminhadas pela belíssima orla marítima de Maceió nos finais de semana são cada vez mais raras, pois o que representava oportunidade para conversa com minha companheira ou com amigo, tornou-se exercício de tolerância aos ruidosos equipamentos de som das barracas e dos veículos estacionados com o porta-malas aberto e enorme caixa com alto falantes. A disputa entre os mal educados beira a insanidade, uma mixagem que ninguém consegue individualizar o que é tocado.

Moradores da orla reclamam da eterna negociação com donos de barracas sobre a altura do som, geradora de acordos que não sobrevivem ao dia seguinte. Nas manhãs de sábado e domingo, os trechos da Avenida Álvaro Otacílio onde estão instalados grandes hotéis são os preferidos por grupos de jovens saídos das baladas, que ali continuam dançando como se ainda estivessem nas pistas de casas noturnas, com latinhas e copos com bebidas alcoólicas não mãos. A sensualidade da dança é claro indicativo do acasalamento que se aproxima, caso sobrevivam à embriaguez.

Policiais e fiscais do convívio urbano parecem nada enxergar, perdendo a oportunidade de enquadrá-los por prática de crime ambiental – poluição sonora verificada por decibelímetro, e se pegarem no volante, constatação da embriaguez no teste do bafômetro.

Em São Paulo/SP, desprovida de praias, os barulhentos se reúnem em calçadas e vias públicas, fato que motivou o prefeito de São Paulo Fernando Haddad a criar lei para punir quem decide manter o som do carro alto em via pública, multando os infratores com R$ 1 mil na primeira vez, podendo chegar a R$ 4 mil e veículo apreendido em caso de reincidência. Um bom exemplo a ser seguido pela prefeitura de Maceió. Quanto à polícia, basta determinação para combater os decibéis da desordem, lei já tem.

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COMENTÁRIOS
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  1. Mendes PC

    Excelente colocação, eu vou além, nas mesmas praias não precisamos procurar muito para vermos turmas se drogando sem serem incomodados por quem quer que seja, fico pensando até quando isso será permitido, talvez até alguém sofrer um ato de violência mais sério, nas jangadas que ficam por trás do posto do corpo de bombeiros e PM, as pessoas se drogam sem se preocuparem. Sou Policial e fico indignado.

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  2. jonas freitas

    No município de Maceió existe o código de postura, é só aplica-lo. brasileiros e
    Brasileiras, somente aprende quando apanha no bolso…

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  3. nivaldo

    REFORÇANDO O QUE O MENDES ACIMA DISSE , NESTE DOMINGO PASSADO, TINHA UM ELEMENTO FUMANDO UM TREMENDO CIGARRO DE MACONHA POR TRAZ DA FEIRINHA DO ARTESANATO NA PAJUSSARA ABERTAMENTE SEM SE INCOMODAR COM AS PESSOAS QUE POR ALI PASSAVAM, INCLUSIVE CRIANÇAS. POXA SERÁ QUE SÓ A POLÍCIA NÃO VE ISSO.

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  4. Anna Maria

    O Dr. Flávio foi preciso em suas sábias palavras. INSANIDADE. É essa a denominação para o barulho infernal, travestido de ” música” e diversão ( para quem ? ), que se tornou a tortura/poluição mais comum e insidiosa dos últimos tempos – não bastasse o lixo, o excesso de propaganda, o esgoto não tratado. Tenho uma casa de praia pouco usada devido ao bando de idiotas surdos que insistem, em cada final de semana, ouvir música ( ??? ) no volume mais alto possível; inclusive, tem aqueles que, no afã de se sobressaírem na ” galera dos jumentos surdos ” trazem seu paredão de som de estimação e vitimam ininterruptamente, sem dó, vizinhos como eu. Em Arapiraca, onde moro, resolvo chamando a polícia. Em Coruripe, onde tenho casa de praia, quem perde é o Município que não toma providências, porque deixa de ver a cor do meu dinheiro em supermercados, pizzarias, postos de combustíveis, banca de revistas e restaurantes, principalmente. Esses abusos só aumentam, e a chance de acabar em tragédia também. Conseguiria entender alguém que, torturado por uma noite inteira de barulho incessante ( chega a tremer os vidros das janelas) perdesse a cabeça e apelasse para a violência. Eu, que sou advogada, me sentiria seriamente inclinada a defender uma pessoa dessas apenas pelo amor à causa. Com a palavra, a polícia.

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  5. JOSE

    EXELENTE COLOCAÇÃO, CADA BAIRRO COM, COM SEUS PROBLEMAS, NO BENDITO BENTES É A VIOLÊNCIA QUE TIRA O SONO DAQUELES MORADORES, NA PONTA VERDE, O SOM, NO PARQUE MIRA MAR, NA SUBIDA PARA O SITIO SÃO JORGE, AS INVAZÕES, PRIMEIRO UM POLICIAL MILITAR, MUROU O LADO DE MINHA CASA, NA SEQUENCIA CHEGA DOIS POLICIAIS CIVIS, CERCA, MAIS DE 60 METROS DE ÁREA PÚBLICA, E AINDA PERGUNTARAM AO MORADOR AQUI TEM BANDIDOS, NA REALIDADE EU NÃO SEI QUEM É O BANDIDO, NESSA SITUAÇÃO, UM MORADOR DE PARIPUEIRA JUNTO COM SEUS FILHOS VEM INVADINDO UM ÁREA DESTINADA A PLANTAÇÃO DE ARVORES, SERIA FÁCIL RESOLVER ESSA SITUAÇÃO SE O TELEFONE 3315 4747, FUNCIONASSE, ESSE NÚMERO É EXCLUSIVO DO BAIRRO PONTA VERDE, DENÚNCIEL O MURO E A CERCA, ATE AGORA NADA FOI FEITO, ESPERO QUE O DONO DESSA PISTA (PIERRE CHARLITA), O EMPRESÁRIO OSVALDO VEJA ESSE RELATO, NA GESTÃO ANTERIOR GANHEI UM BARRACO, NA ATUAL, JÁ GANHEI UM MURO, E UMA CERCA.
    OQUE MIM PREOCUPA É SE ESSES TRÊS RESOLVER INVADIR O CORREDOR VERA ARRUDA, AONDE OS SER HUMANO DE NOSSA CIDADE VIVE, EM BRASILIA, SOM LIGADO A POLICIA É ACIONADA E LEVA O SOM DE IMEDIATO, MACEIÓ UMA CIDADE COM MAIS DE 1 MILHÃO DE HABITANTES, ESSE TIPO DE COMPORTAMENTO TEM QUE SER BANIDO, parabéns pelo texto.

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  6. Roberto Theodosio Brandão

    Dr.Flávio o senhor está certo nas suas considerações a respeito do fato. Caminhar na belíssima orla de Maceió deixou de ser um prazer e um fato benéfico á saúde.
    Porque a saúde? Passou de 100 decibéis o ouvido já não suporta e também é ruim para os olhos a visão de cenas de jovens se drogando ou bebendo sem controle. Infelismente tudo isto ocorre a luz do dia e as autoridades fazem vista grossa, creio. As casas de veraneio que depois se transformaram em moradas difinitivas nos litorais norte e sul estão sendo vendidas pelos seus donos porque eles perderam o gosto pelo local que hoje é danoso para saúde. Vendi um sitio a beira mar enorme porque no entorno surgiram tribos, gangs,barzinhos e consequentemente muito barulho, crimes, e natural desvalorização local. Amanhã no antigo sítio poderá surgir uma ou duas torres residenciais de 20 andares cada, heliporto,etc. As pessoas querem paz e tranquilidade e os decibéis alterados estão pondo tudo a perder. Quem perde é o Município(s) com a debandada dos verdadeiros contribuintes. Lamentável. Foi muito bom levantar este tema. Parabéns.

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  7. Mauricio Morthem

    Caro Dr. Flávio Saraiva, lembrando o artigo 42 da Lei de contravenções penais (perturbação do trabalho e do sossego alheio), que prevê pena de 15 dias a 3 meses de detenção. Lembrando também que a referida lei não permite barulho em horário algum, basta o som estar incomodando.

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  8. laercio

    sei como voce, saraiva, é bom de dedo. falo com respeito ao modo como voce digita seuscomentários, por sinal, de boa qualidade. agora, amigo delegado, mesmo que aborde um abuso com o que se refere com relação ao som que agride nossos ouvidos, peço que esqueça o nome dessa mala petista barizda por haddad; um abraço do amigo.

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  9. LUIZ ALFREDO SILVA

    INFELIZMENTE OS GOVERNOS SÓ QUEREM FISCALIZAR O QUE DÁ LUCRO E TRABALHO FÁCIL, À EXEMPLO DA LEI SECA QUE AINDA HOJE NÃO TEM APARELHOS ETILÔMETRO EM TODAS VIATURAS DE SERVIÇO IMAGINEM SE TERIAM O DECIBELÍMETRO QUE PODERIAM AUTUAR EM FLAGRANTE DELITO TODOS QUE INSISTEM EM DESRESPEITAR O SOSSEGO ALHEIO?PORÉM AS CAMERAS DE MONITORAMENTO DA PREFEITURA NÃO SERVEM PARA ENVIAR “AGENTES” DE TRÂNSITO COM A FINALIDADE DE AUXILIAR OS CONDUTORES EM VIRTUDE DOS ENGARRAFAMENTOS,MAS SERÃO UTILIZADAS PARA MULTAR OS CONDUTORES QUE TRANSITAREM NA FAIXA AZUL!!! É MOLE? METER A MÃO NO BOLSO DO CIDADÃO É FÁCIL, MAS TRABALHAR EM PROL DA SOCIEDADE É O BICHO….CAMBADA DE PARASITAS….

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  10. Cesar PM

    Boa Matéria, Acontece que na prática a PM fica a mercê da confecção de um simples TCO, realizando a Contrav. Penal do art 42. Mas, a dificuldade está na lavratura pois falta vítima e testemunha nesses casos. A testemunha pode ser o PM. Mas, a Vítima NINGUEM quer se envolver na ocorrência mesmo achando um absurdo.Muitas vezes faço TCO sendo a Vítima a Sociedade, mas a ocorrência não fica amarrada e logo pode ser contestada pela Defesa de advogados
    Penso que a solução seria por vias ADM da Prefeitura, através de uma Fiscalização da SMCCU com equipes de serviço na rua controlando o convívio urbano. O prejuizo do bolso nesses casos é o que mais incomoda. Dessa maneira, podíamos evitar o Expansionismo Penal Desenfreado.

    Abraço

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  11. nelson

    eu nem culpo as pessoas que sai por aí com um carro com um som estridente, pois certamente são pessoas que nasceram com uma cabeça sem cerebro, um anencefalo ! o pior é vermos que nenhuma autoridade da porcaria desse país toma uma providencia para acabar com essa desordem. vemos as policias de transito as veses tâo duras com um veiculo que está com a lanterna quebrada ou a placa que está com um numero apagado, enquanto isso a maioria do veiculos de passeio tem o vidro trazeiro totalmente tapado com caixas de som deixando o retrovisor interno sem nenhuma visibilidade, e isso acontece debaixo do nariz da SMTT, do BPTRAM, e da gloriosa PRF, isso quando o retardado nâo ta puchando uma carroça com uma carga de cxs de som mal amarrada e fazendo o chão tremer, mas tudo isso é normal para as autoridades que vai do governador, o prefeito, os vereadores, os deputados, o MP, e etc. ou esse país decreta tolerancia zero a essas pessoas praticantes da desordem, ou quem puder vá embora do lixo desse país, isso aqui realmente é C. do mundo.

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  12. Vanessa Gonçalves

    Também sofro bastante com isso, no fim de semana realmente piora com a saída dos jovens da balada, sem contar com pegas.

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  13. Márcio Roberto

    Caro Dr. Flávio, enfatizo sua colocação sobre a poluição sonora veicular, pois os famosos “pancadões” devem ser instintos das vias públicas. O Código de Trânsito Brasileiro já prevê punições para emissão de sons em áreas urbanas, mas falta fiscalização e controle.

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  14. acompanhando

    Caro amigo Flavio, existe uma lei do vereador Galba Netto que normatiza e pune com severidade quem pratica essa desordem. Mas, como toda lei, ninguém fiscaliza.

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  15. MARIA JOSE

    No mês de janeiro, estava participando de um evento em um hotel, na praia de pajuçara, quando eu vi sirenes e um mine caminhão, duas viaturas da guarda municipal, e uma dez pessoas no mine caminhão, pararam um vendedor de cocô com o seu carinho, mobilizaram o vendedor, e os fiscais da SMCCU, colocaram os cocô e o carrinho no caminhão, ali eu vi o poder público agir com fossa, um turista que ia passando fez um comentário, que cidade organizada, eu falei, isso só se resume a esse cidadão, na periferia se constroe ate prédio no meio da rua, começo a min preocupar com essa gestão, sera que é uma cópia da anterior, qual seria o papel da prefeitura, nessa situação de invazão e som alto.

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