ROLEZINHO NA POLÍCIA
   Flávio  Saraiva  │     3 de fevereiro de 2014   │     22:36  │  3

ROLEZINHO NA  POLICIATenho testemunhado a angústia de policiais civis lotados na Delegacia da Criança e Adolescente de Maceió, sem saberem o que fazer diante do comportamento agressivo de menores apreendidos na carceragem. A todo tempo os policiais são desafiados e agredidos com ofensas morais, ameaças de morte e gritaria sem fim, balançam as grades provocando barulho ensurdecedor e apavorante, que limita o bom funcionamento da unidade.

Quem são eles? Adolescentes entre 12 e 17 anos de idade, maioria filhos de pais separados, sem referência paterna, usuários de drogas, sem formação educacional que mereça o grau de analfabeto funcional, apreendidos pela prática de furtos, roubos e, principalmente, tráfico de drogas.  Cresceram sem nenhuma noção de ordem e disciplina,  transgredir é a norma.

O adolescente é componente quase obrigatório nas quadrilhas, tendo a função de assumir as condutas criminosas mais violentas e, por consequência, livrar os adultos de penas restritivas de liberdade mais longas. Quando apreendido pela primeira vez, por prática de ato infracional sem violência ou grave ameaça, após registro da ocorrência é logo entregue aos pais ou responsáveis. A reincidência pode levá-lo à internação em unidades destinadas à ressocialização previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, criado no ano de 1990, com normas consideradas avançadas ainda hoje, mas não totalmente aplicadas após 23 anos de sua existência. Em unidade de internação  inadequada, os jovens, imitando os ídolos adultos, se rebelam, incendeiam colchões, fazem funcionários reféns, matam colegas encarcerados, promovem fugas cinematográficas, saindo de lá piores do que entraram.

O entra e sai de adolescentes nas unidades policiais e de internação é uma constante, o índice de reincidência, segundo policiais da delegacia, passa dos 80%, formatando o sentimento de que tudo podem, tornando-os mais violentos e ousados a cada passagem ou rolezinho. Existem mais de 300 mandados de busca e apreensão em desfavor de menores infratores a serem cumpridos, motivados, em sua maioria, por faltas deles às audiências e fugas. Se apreendidos, não haverá espaço para interná-los.

Ao completarem 18 anos, não há varinha mágica que provoque mudanças no comportamento deles, altera apenas a nomenclatura, cometerão crimes (não mais atos infracionais), possivelmente serão presos (em vez de apreendidos) e condenados, participarão de rebeliões, filiação ao partido do crime – o Primeiro Comando da Capital (PCC), e certificado de criminoso na faculdade do crime, comemorado com um brado – É nóis!

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COMENTÁRIOS
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  1. Ciro Roberto

    Parabéns Dr. Flávio Saraiva. Sua Excelência foi bem realista em suas colocações em relação a situação da Delegacia de Menores. `
    É um verdadeiro martírio trabalhar nesta unidade policial. Acho que chegou a hora das autoridades competentes olharem com mais atenção para o que vêm ocorrendo dia a dia e fazerem algo de concreto para amenizar tal situação.

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  2. Policial Militar

    O MP deveria cobrar da comissão de Direitos Humanos da OAB, um plantão de 24 horas de advogados para acompanharem estes jovens/adolescentes quando estes estiverem agitados/drogados/estressados, etc… Pois é fácil dizer que os policiais foram truculentos não estando no local quando há o problema.

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  3. Luiz Alfredo

    Toda essa questão dos menores de idade não passa de vontade política de resolver a questão,pois chega ser constrangedor ver o jogo de palavras usado no ECA, apreendido ou preso,preso ou privado de liberdade? Pra mim tanto faz, só sei que enquanto continuarem tratando esses bandidos mirins como crianças o povo e a polícia vão continuar reféns da bandidagem.Lembrando que existe uma fatia de Juízes,promotores,assistentes sociais e defensores dos direitos humanos e até mesmo delegados de menores que sabem que somos vítimas do desgoverno federal e sempre estão buscando a figura do bom e velho “bode expiatório”,de preferência um policial ou monitor ou agente penitenciário pois errar é humano e mais humano ainda é colocar a culpa em alguém,infelizmente não vivemos em um país sério.

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