ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES
   Flávio  Saraiva  │     20 de janeiro de 2014   │     21:39  │  2

Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado é o título do livro escrito pelo delegado de polícia civil de São Paulo Romeu Tuma Júnior em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli, publicado pela editora Topbooks, lançado no final de 2013, com primeira edição esgotada antes de chegar às livrarias, a segunda com 10 mil exemplares, aparecendo na lista dos mais vendidos das revistas Veja e Época. Como o nome indica, o autor é filho do famoso delegado Romeu Tuma, ex-diretor geral da policia federal e xerife da receita federal no governo do presidente Fernando Collor, condição que emprega para creditar o conteúdo de sua obra.

Tuma Júnior revela que o ex-presidente Lula fora informante de seu pai, na época em que Tumão comandava o DOPS de São Paulo, detalhando os benefícios recebidos pelo então líder sindical como contrapartida à sua colaboração. Expõe o projeto de poder do PT, os grampos ilegais contra os ministros do STF, a prisão de Cacciola, a não extradição do italiano Cesare Battisti, os bastidores da secretaria nacional de justiça, o modus operandi na construção de dossiês contra adversários do partido e o crime de homicídio que vitimara o prefeito de Santo André Celso Daniel, em 18/01/2002.

As investigações do homicídio apontaram Dionísio Aquino Severo como um dos participantes da trama criminosa, iniciada em São Paulo com a interceptação do veículo conduzido pelo assessor Sérgio Sombra, do qual Celso Daniel fora retirado, indicando possível crime de sequestro.   Versão logo desfeita com o achado do cadáver dois dias depois, em trecho da rodovia Regis Bittencourt, município de Juquitiba/SP.  Dionísio é protagonista de cinematográfica fuga do presídio de Guarulhos, resgatado em 17/01/2002 do pátio central de helicóptero conduzido por piloto sequestrado pelo filho Rodrigo Tadeu Severo em pleno voo.

À página 252 do livro, o autor, de ego super inflado em toda narrativa, discorre sobre a prisão de Dionísio Aquino, ocorrida em 04/04/2002 na Praia do Francês, atribuindo o feito à sua providencial atuação, afirmando: “Ele foi preso na Praia do Francês, em Maceió. Levantamos o esconderijo e avisamos a polícia de Alagoas, que o prendeu”. Não é verdade.  Estava cumprindo escala na Delegacia de Plantão na noite de 02/04, quando recebi ligação telefônica do delegado de polícia sergipano Fernando Melo, informando da prisão de dois criminosos que haviam roubado uma agência do banco Itaú em Aracaju na manhã daquele dia.  Um deles era Rodrigo Tadeu Severo, filho de Dionísio, que em seu interrogatório informara que os outros dois assaltantes (o pai e José Carlos Barros) fugiram para Alagoas, indicando o local sem acrescentar nome de rua e número da casa na Praia do Francês, até porque não sabia. Durante o assalto Rodrigo informara ao gerente do banco que ele não era um criminoso comum, distinção revelada em interrogatório confessando os detalhes da famosa fuga do pai.

A partir dali sabia quem iria enfrentar, reuni a equipe plantonista, informei aos meus superiores e nos dirigimos à Praia do Francês, batemos em porta de casa errada, até chegar à que estavam esposa e filhos de Dionísio. Montamos vigilância até às 4h de 04/04 quando então apareceram Dionísio e José Carlos, que notaram a presença policial e tentaram fugir, desistindo logo em seguida aos tiros de fuzil disparados pelos guerreiros do TIGRE (grupo tático da polícia civil) que zoaram suas orelhas.   Os bandidos e família foram transferidos para Aracaju em voo comercial com escolta reduzida, desproporcional ao aparato policial sergipano que aguardava na pista do aeroporto. Esta é a verdade que não macula o livro.

Conforme exposto na contracapa, o livro “é fundamental para se entender, por dentro, a engrenagem do poder no Brasil dos nossos dias”.

Tags:, , , , ,

>Link  

COMENTÁRIOS
2

A área de comentários visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos e que que firam a ética e a moral não serão liberados.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do blogueiro.

  1. irmãoszinhos

    amigo saraiva, quer dizer que o lula molusco e o geniono são irmãos gemeos na delação de cumpanheiros. um,entregava e o outro colhia informações. que dois safados.um abraço de amigo.

    Reply
  2. Alagoano

    Só se assassina reputação de quem tem e no caso do livro só serve como fonte de informação aos que ainda hoje se encontram fascinados com o petismo.
    Tenho 50 anos e nunca havia visto o Brasil tão sujo e sem esperança, bem que falou a presidanta em seu discurso na ONU: NO BRASIL NÃO TOLERAMOS TERRORISTAS.
    Simplismente são eleitos…não por mim!!!

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *