TIRO POLICIAL
   Flávio  Saraiva  │     17 de janeiro de 2014   │     6:07  │  13

TIRO POLICIALA formação de um policial passa por diversas fases a começar por concorrido concurso, provas de aptidão física e curso na Academia de Polícia, última etapa do certame em que o futuro profissional passa a ter contato com a ambientação em que irá trabalhar. Ali, além das disciplinas de conteúdos teóricos que darão suporte legal ao desenvolvimento da atividade policial, o aluno experimentará, em treinamentos aproximados à realidade, situações de riscos que enfrentará no seu dia a dia.

A rigor, o aluno policial deveria sair da Academia com habilidades em gerenciamento de crises, análise de risco, planejamento operacional, técnicas de inteligência e interrogatório, recrutamento de informantes, direção de viaturas, técnicas de abordagem, imobilização, uso de armas não letais e tiro – o último recurso a ser usado.

Nas instruções de tiro o aluno inicia conhecendo o armamento que lhe é disponibilizado, manutenção, fundamentação teórica que passa pela forma da empunhadura, visada/mira, respiração e acionamento da tecla de gatilho. No último fundamento o aluno aprende que para aplicá-lo ele tem que passar por mais quatro fases que terá de cumpri-las em frações de segundo – Ver, Identificar, Decidir e Agir, abreviadas com a sigla VIDA. Tudo isso é praticado em alvos inertes, papel ou metal, em forma de silhueta humana.

Formado e já nas ruas, o policial descobre que o seu alvo já não é mais inerte e não tem nenhum respeito aos seus comandos de “Parado! Polícia! Mãos na cabeça! Parede! Chão!”. Palavras mágicas desde o tempo em que eram pronunciadas como “Poliça! Arriba mão! Não se bula!”. Os marginais abordados, maioria sob efeito de drogas, reagem de forma instantânea e letal, não têm nada a perder e a temer. Do outro lado o policial com emprego, família, liberdade e vida a perder.

Não faz muito tempo, um policial militar de São Paulo fora vítima de assalto em que o marginal buscava subtrair sua moto apontando-lhe um revólver, dera-lhe as costas e quando tentava arrancar com o veículo roubado, recebera os comandos de abordagem do policial, praticados na conformidade dos ensinamentos da Academia. O ladrão virou-se e matou o policial, que acabara de sair de uma empresa em que fora contabilizar tempo de serviço nela prestado, necessário à sua aposentadoria.

A ação fora captada por câmeras de segurança que mostram claramente a possibilidade de o policial ter atirado no marginal, mas naquela fração de segundo passando pelas fases que antecedem ao disparo (V.I.D.A), pensou na família, perda do emprego, cadeia e… Perdeu a vida, num confronto desigual entre o que tem e o que não tem nada a perder.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roberto Theodosio Brandão

    Li com atenção o seu pensamento e sua conclusão sobre o TIRO POLICIAL e a reação e visão brasileira do fato.Aqui persiste o medo de reagir do policial que termina resultando na sua morte. A policia americana já age decisivamente e com vontade de resolver o problema porque lá se defende o cidadão-contribuinte e o meliante é fuzilado sem compaixão. Se aqui fosse assim as coisas já teriam melhorado. Os Estados Unidos país dos fortes e dos bravos não se dá ao luxo de aumentar vagas nas prisões. Eu fico com os americanos e aprovo a pena de morte instituída pelos mesmos.

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    1. André

      Pois é caro Delegado, essa triste realidade tem sido cada vez mais frequente em nosso cotidiano, nós policiais, que muitas vezes nos sacrificamos para ver um mundo melhor, na maioria das vezes somos injustiçados, tratados como bandidos, execrados pela sociedade, vistos como escória. Quando precisam somos heróis, trabalhamos em condições extremas de estresse para se chegar ao intuito, mesmo mal remunerados e sem as condições mínimas de trabalho, fazemos milagres, mas não temos reconhecimento nem dentre os nossos. Por isso, deixo meu conselho aos colegas, não hesite em momento algum, faça o que tem que ser feito, se for preciso atire precisamente, pois, é melhor arrepender-se do que fez do que perder a vida de forma inerte.

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    2. Pedro

      Caro Roberto Theodosio Brandão.
      No EUA a legislação (LEI AMERICANA) vigente autoriza o policial a neutralizar um cidadão quando esse ponha em risco a integridade de outrem ou a segurança pública. A legislação brasileira é totalmente diferente dá de lá.

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  2. Eder Andrade

    “Perdeu a vida, num confronto desigual entre o que tem e o que não tem nada a perder”. Formidável esta assertiva! A abertura dos inquéritos policiais aos DH só penaliza o policial e beneficia os meliantes. Muitos dirão que este comentário é fruto de uma ignorância à respeito da ação dos DH, que não passa de um parafraseado popular (e populesco). Fato é que o que temos visto e ouvido das fontes de notícias – parcial e mercenária, dirão os pseudoesquerdistas – são histórias de policiais perdendo a farda (estabilidade financeira, social e psicológica, entenda-se!), por terem agido em defesa do bem estar social ao prender ou mesmo eliminar o meliante.
    Não é de se espantar quando um policial deixa de agir em nome da lei quando diante de fatos que exigem uma ação.

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  3. jonas freitas

    Bom,já que se fala tanto em segurança neste país…Que tal uma postagem sobre projeto de desmilitarização da policia…Queremos saber as opiniões.

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    1. Roberto Theodosio Brandão

      Respondo a pergunta do Sr.Jonas Freitas: Desmilitarizar a Polícia – SIM – Temos o exemplo da França e outros Países do mundo. Uma polícia única com um folha de pagamento do Ministério da Justiça (salário justo e digno)tecnologia, armamentos,equipamentos de telecomunicações de última geração digital, entim equipamentos para os policiais não trabalharem com as mãos e as unhas improvisando tudo. A ideia é muito falada no Brasil porém isto vai gerar muita polemica e contrariar interesses escusos,vicios e modus operandi errado.
      Ideia é para ser amadurecida e com calma. Quem sabe, um dia…

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      1. jonas freitas

        Muito boa a sua resposta. Grato…Sonhar não custa nada, mas um dia chegaremos lá. Venho lendo muito sobre o assunto…Abraços.

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  4. Cristina Carvalho

    MUITO BEM EXPLANDA A TRAJETÓRIA DE UM POLICIAL NESSA “TERRA BRASILIS”. AS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS AINDA SE DÃO AO LUXO DE CONSTRUIR PRESÍDIOS PRA ESSE MONTE DE DELINQUENTES COM DIREITO A MELHORES CONDIÇÕES PRISIONAIS.A CÚPULA DEVERIA SABER QUE QUEM DEFENDE A POPULAÇÃO É A POLICIA E NÃO O MARGINAL.ESTÃO EM PRESÍDIOS NÃO PORQUE SÃO HONESTOS TRABALHADORES DESSA NAÇÃO E SIM, DESCUMPRIRAM A ÉTICA E O BOM VIVER.POLICIAL BEM PAGO É SIM,UM DEFENSOR DA LEI,DA ORDEM E DOS BONS COSTUMES(VIDE EUA).E POR FIM ,SE MATAM UM DELINQUENTE ESTÃO CUMPRINDO ORDENS E FORAM FORJADOS EM ACADEMIAS PRA ISSO MESMO,NÃO FORAM LÁ PRA BRINCAR DE POLÍCIA E SIM PRA SE DESDOBRAREM EM AÇÕES DE ALTA PERICULOSIDADE,QUE AS VEZES LHES TIRA A VIDA.

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  5. SAMPAIO

    EM UM CONFRONTO POLICIAS X BANDIDOS, OS BANDIDOS PAGAM PELA ESTUPIDEZ DE ENFRENTAREM POLICIAIS ATIRANDO CONTRA OS MESMOS, OS QUAIS ESTÃO NA DEFESA DE SUAS VIDAS E DA SOCIEDADE. PORTANTO A APLICAÇÃO DA 3ª LEI DE NEWTON.TAMBÉM CHAMADA PRINCIPIO DA AÇÃO E REAÇÃO.

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  6. Luiz Alfredo

    Em torno de armas de fogo foi criado um misticismo equivocado onde quem possui ou porta uma arma é um assassino em potencial.Quanto ao fato de ser ensinado a um policial que o tiro é o último recurso quando os mesmos se encontram nas ruas em situação de confronto o tiro passa a ser sim o único recurso pois a bandidagem não respeita mais a polícia.
    Deveria ser elaborado um decreto de lei assegurando que: Bandido que atira em polícia pra matar tem que levar tiro pra morrer.
    O cidadão de bem respeita os princípios humanitários, o bandido só respeita força maior que a dele. “Se o Governo não investir em Segurança Pública, os bandidos tomarão conta de tudo”.

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  7. Roberto Theodosio Brandão

    Caro Luiz Alfredo: Nem precisa Decreto Lei para o caso citado pelo senhor. Todos os bandidos mortos nos últimos dias REAGIRAM a voz de prisão e atiraram nos policiais para matar. Neste caso houve REAÇÃO A PRISÃO anunciada pelos policiais. Se a Polícia não atirar morre estupidamente. É assim que funciona infelizmente e vamos levar em conta que a sociedade é a maior vítima até agora. A 3a Lei de Newton prevalece no caso como comentou o Sr.Sampaio acima.

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  8. Pedro

    Bem que os Deputados e Senadores brasileiro poderiam incluir no Código de Processo Penal um artigo que autoriza-se o Policial a neutralizar a ação ou omissão do cidadão que coloque em risco a vida humana ou a segurança pública.

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