SEGURANÇA E PARANOIA
   Flávio  Saraiva  │     14 de janeiro de 2014   │     7:52  │  3

SEGURANÇA E PARANOIAEm 2007, participando de curso de segurança em Israel, ouvi de um dos instrutores que não existiria segurança sem paranoia; acreditei tratar-se de exagero, mas estava no país que enfrenta, sistematicamente, atos terroristas e guerras. Segundo a Wikipédia, paranoia se refere a um sentimento de desconfiança persistente, excessivo e mal fundamentado, podendo ser um dos sintomas de transtornos psicológicos. Então, para o israelense, só não é mal fundamentado.

Profissional de segurança pública, fiquei pensando em tão forte assertiva e se a aplicação dela teria evitado atos inseguros na atividade. Voltei a 2004 e lembrei-me de um incidente que não teria ocorrido se a tivesse levado em consideração. Acompanhava um amigo em viagem para Recife/PE, onde ali iria avaliar a funcionalidade da segurança de empresa de seu filho. No início da pista dupla em Pontezinha/PE, o amigo, um jovem de 70 anos de idade, com o qual mantenho relação paternal, resolvera parar o veículo que conduzia, pois vira no canavial à beira da estrada um bom lugar para urinar.

De nada importaram minhas alegações para o ato inseguro a ser praticado, argumentadas na parada de veículo com capô aberto do outro lado da pista, com um homem ao lado sem demonstrar nenhuma preocupação com possível enguiço. Mostrei o fechado canavial que lhe serviria de mictório, insisti informando que a poucos quilômetros haveria posto com sanitários adequados para uma mijada segura, mas nada impedira aquele homem.  Saquei minha arma e fiquei esperando-o de olho no suspeito motorista do outro lado.

Passados alguns minutos, chega o homem aliviado da urina informando que teria sido vítima de assalto no improvisado mictório. Não acreditei, mas não demorou muito para notar que no braço esquerdo a faixa branca na pele indicava a subtração do relógio; os pés descalços, o roubo dos sapatos. Instintivamente, tentei sair do carro para entrar no canavial e encontrar o assaltante rural, fui impedido pelo assaltado, fundamentado na relação paternal e insanidade de minha intenção. Não me perdoo por não ter evitado o imprevisível assalto, e o pior, de não ter reagido. Experimentei a sensação de covardia compulsória.

Na volta de Israel, fui direto comemorar 25 anos de casamento em restaurante de Maceió/AL, pensei na assertiva israelense, escolhi mesa em local mais seguro, posicionei a família em arranjo para busca de abrigo em caso de reação a assalto e… Ocorrera a tentativa, a família correu para o banheiro e eu corri para prender os assaltantes, conseguindo atingir um deles com 03 tiros, preso depois em unidade de emergência médica. Experimentei a sensação do dever cumprido e agradeci ao israelense. Não há segurança sem paranoia.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roberto Theodosio Brandão

    Realmente nestes últimos tempos temos notado uma mudança de comportamento da população. Ainda vejo senhoras entrando no veículo colocando baton e ajeitando o cabelo dando chance ao bandido de plantão. Hoje o problema maior está na rua e ficamos 100% desprotegidos apesar de algumas pessoas viverem com um suposto “elemento surpresa” ligado no sub consciente. Se você notou algo diferente junto ao seu veículo passe direto e pare longe para observar. Ande despojado de tudo,relógio, celular e
    coisas que despertem cobiça. Limpe o seu parabrisa retirando adesivos parecidos com policiais e outros tipo
    advogado com o emblema da república,etc. O nosso mundo mudou e temos que nos acostumar e se adaptar a esta loucura coletiva que nos aflige e não há segurança sem paranoia como bem falou o Dr.Flávio Saraiva e que tenhamos sorte nas nossas ações do dia-dia. Deus nos proteja sempre.

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  2. LUIZ ALFREDO

    Prezado Dr Saraiva e caros leitores,
    No momento desta postagem o contador de assassinatos em Alagoas está em 110 no dia 16/01.Será que em Israel ou qualquer outro país em guerra já teve esse quantidade de mortes em 2014?
    Temos que ser paranoicos quanto a nossa segurança mesmo pois,já está mais que provado que a máquina governamental está segurando as mãos dos homens de bem e fomentando a bandidagem com suas políticas de Direitos Humanos.
    Pela quantidade de cocaína e crack nas ruas podemos dizer que estamos em meio a um avanço no narcotráfico devidamente defendido por figurões políticos.Convém lembrar ainda que a destruição causada pelas drogas se assemelhas a ataques terroristas usando armas químicas.

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