FUSCA MODELO OMISSÃO
   Flávio  Saraiva  │     7 de dezembro de 2013   │     8:20  │  4

FUSCA ABANDONADO

FUSCA ABANDONADO

O Fusca que aparece na foto, abandonado há mais de 30 dias, tem dono: um líder, gerente, gestor ou qualquer coisa parecida, do Instituto Manassés. Instalado a poucos metros do local da fotografia, em residência comum edificada em lote de 12x30m, rodeado por prédios de apartamentos, Manassés abriga cerca de 30 dependentes químicos para tratamento baseado em fortalecimento da estrutura espiritual, significando fé em Deus para buscar recuperação e reintegração social com o abandono do uso de drogas.

Afrontando princípios determinantes para a recuperação de dependentes químicos, os pacientes de Manassés podem ser vistos por toda Maceió, fardados com calça azul, camisa branca com o nome de Jesus em letras garrafais e bolsa nas costas. Na mochila, brindes que Manassés oferta à venda, principal fonte de renda para o funcionamento da instituição. Assim, o dependente químico em tratamento anda pelas ruas, mantendo contato com todas as circunstâncias motivadoras que o levaram à permanência no uso de drogas, os chamados “gatilhos” que determinam a recaída deles, principalmente o dinheiro das vendas dos brindes.

Contrariando o que prega Manassés, o dependente químico paga para entrar no Instituto, passa por curso intensivo de vendas, oportunidade em que aprendem passagens bíblicas para convencer os clientes preferenciais, passageiros de ônibus, espremidos em pequeno espaço e induzidos a colaborar com contestável tratamento. Não é demais dizer que Manassés não contrata, melhor, não abriga dependente químico que não goze de boa saúde, capaz de caminhar quilômetros por dia, além de raciocínio matemático para prestar contas do que vende.

Funcionando graças à omissão de quem é obrigado a fiscalizar, o Instituto impacta de forma significativa a convivência urbana, pois todos os dias, às 5h30, os vizinhos são contemplados com a oração do Pai Nosso gritada por 30 homens, seguidas de mais três durante o dia, finalizando às 22h, como se fosse a “canção de despertar” para a noite de sono.

Conheço e reconheço o trabalho de muitas comunidades terapêuticas instaladas em Alagoas e São Paulo, mas confesso que não encontrei nenhuma como a Manassés. Os dependentes jogam sinuca e dominó o dia todo e todo dia, os resultados são ouvidos pelos vizinhos por meio das vibrações e lamentos de vencedores e vencidos. O barulho é a regra, o silêncio a exceção.

O Instituto já fora flagrado furtando água, condição que autorizara a prisão em flagrante de dois usuários, no momento em que eles tentavam religar o “gato”. Acreditando que pode tudo, e tem razão de pensar assim, o então líder local  de Manassés tirou o Fusca da sua espaçosa garagem, retirou os pneus (pelo menos é a subtração avistada) e estacionou em local proibido do Corredor Vera Arruda.

Há quem diga que o líder está em outra missão pelo país, mas deixou em Maceió duas obras que desafiam os fiscais, o funcionamento discutível do Instituto e a nova garagem do Fusca.

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COMENTÁRIOS
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  1. Oque nos incomoda, os vendedores, que oferecem seus produtos, o rapaz que limpa os onibus, os vizinhos que são acordados as 05:30 e dormem as 22:ooh com orações, o carro abandonado no corredor, as fezes dos cachorros que estão nas gramas, os viciados e traficantes que invadem o corredor, os crimes e assaltos sem soluções que assolam nosso estado, o deputado que é flagado roubando energia e e seus colegas que desviaram mais de 300 milhões e não são preso por ter imunidade parlamentar, e se esse carro estivesse na rua cabo reis, sera que teria tanta repercução, e as orações, se fosse na grOta do estrondo, sera incomodava. BELO TEXTO

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  2. Paulo mendes

    Sem querer fazer juízo de valor, mas, já tinha lido algo na gazeta sobre esse instituto, o que deixava nítido que se tratava de uma coisa que inspirava uma investigação sobre o verdadeiro papel dessa instituição. Como ate agora nada foi feito, eles continuam incólumes com um pseudo instituto e, ainda, utilizam a via pública como cemitério de carro velho.

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  3. Louco Doido Varrido de Pedra

    O pior de tudo isso não é este carro estacionado no final da Rua Marechal Arthur Alvim Câmara com o Corredor Vera Arruda. Esse monte de homens juntos numa casa nessa rua ficam jogando sinuca até altas horas da noite. E deve rolar muita festa nos finais de semana, principalmente aos domingos, onde a barulheira incomoda. Trabalho social eu não vejo. Vejo muita folia. E esses homens será que tem a carteira assinada. Como é feita a remuneração deles.

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  4. Louco Doido Varrido de Pedra

    E, na noite da terça-feira, 21 de janeiro de 2014, após agentes da SMTT, em duas viaturas, informarem aos responsáveis pela Organização Manassés, um guincho levou este Fusca. E o Corredor Vera Arruda ficou mais limpo!!!.

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