POLÍCIA E GENI
   Flávio  Saraiva  │     23 de novembro de 2013   │     7:00  │  6

Black Blocs atacam coronel da PM Reynaldo Rossi em SP

Black Blocs atacam coronel da PM Reynaldo Rossi em SP

No meu tempo de estudante do curso de Agronomia na UFAL, final dos anos 70 e inicio dos 80, comovia-me com o sofrimento da mulher Geni na letra da música composta e cantada por Chico Buarque Geni e o Zepelim que, apesar de servir aos homens de sua cidade com sexo fácil, era incompreensivelmente agredida. O refrão da música é “… joga pedra na Geni, joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni…”.

Não tendo muito sucesso como engenheiro agrônomo, pois conseguira apenas ser professor colaborador daquele curso por apenas 01 ano, saindo de lá por não ter sido o primeiro colocado em concurso público. Desempregado e filho de pobre, encontrei emprego através de concurso público na Polícia Civil de Alagoas. Logo desenvolvi paixão pelo novo ofício e talvez por isso resistisse a compreender o jargão policial que diz: “polícia perto incomoda, longe faz falta”.

No enfrentamento ao bando de marginais denominados de Black Blocs, as polícias militares têm recebido várias críticas por parte de jornalistas e outros formadores de opinião, pelo uso de meios considerados violentos para dispersar manifestantes que insistem no bloqueio de importantes avenidas, depredação de bens públicos e privados, invasão a shopping centers e outros pontos comerciais, pichações em repartições públicas e incêndio a ônibus etc.  Muitos policiais foram feridos por paus, pedras e qualquer outro instrumento que dispunham os “inocentes” manifestantes, aí incluídos coquetéis molotov, dispositivo incendiário de fabricação caseira. Como Geni, polícia é feita pra apanhar.

Cumprindo jornada de trabalho fazendo a segurança do Palácio da Justiça de São Paulo, o Soldado PM Vignoli tentara impedir que um manifestante pichasse o muro da instituição agarrando-se a ele. O policial não contava com a solidariedade dos companheiros do manifestante imobilizado, que passaram a lhe agredir com tudo que tinham às mãos, verdadeiro linchamento, só contido por manifestantes mais moderados e um jornalista da Folha de São Paulo. No dia seguinte o jornalista relatara o ocorrido em seu jornal, mas sequer citara o nome do militar linchado, que mesmo empunhando o revólver que os manifestantes ameaçavam tirar-lhe, não fez nenhum disparo. Se tivesse feito um único disparo, mesmo de advertência, seu nome seria destacado e objeto de procedimento administrativo disciplinar. Em sua coluna na revista Veja, Roberto Pompeu de Toledo considerou o Soldado PM Vignoli como herói, acrescentando que há heróis que se notabilizam pelo que fizeram, e ele se notabilizou pelo que não fez, ou seja, apanhou de todos sem reagir às injustas agressões. O mesmo acontecera com o Coronel Reynaldo Simões, também tratado como herói ao controlar sua tropa, depois de espancado e roubado pelos baderneiros, que ainda levaram sua pistola.

Na canção de Chico Buarque, o comandante de um zepelim gigante que ameaçava destruir a cidade onde Geni era apedrejada e cuspida, se apaixonara por ela e por seu amor pouparia a todos, que gritavam: “… Vai com ele, vai Geni, você pode nos salvar, você vai nos redimir, você dá pra qualquer um Bendita Geni…”. São Paulo tem o maior número de policiais militares mortos em combate por bandidos, não vi nenhuma matéria jornalística atribuindo a eles atos de heroísmo. Como Geni, policial é feito pra apanhar, policial é bom pra cuspir, e pode ser agredido e morto por qualquer um. Bendito policial.

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COMENTÁRIOS
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  1. Roberto Theodosio Brandão

    Com a situação das polícias (todas) que estão acorrentadas e sem nenhum poder de ação ou reação porque qualquer ato mesmo de defesa do policial é considerado um desrespeito ao cidadão. Diante do fato que por qualquer coisa o policial é punido a população sente que é a oportunidade de se fazer justiça com as próprias mãos. Recentemente um coronel PM responsável pelo Comando de Policiamento da Capital paulista foi barbaramente espancado, outros são linchados e até mortos em ação. A Polícia não está reagindo com receio de uma Corregedoria, Comissão dos Direitos Humanos,etc.
    Deste modo serão exterminados o cidadão de bem e a própria Policia. Nos Estados Unidos a Polícia usa a força e o rigor dentro da Lei porém não apanha como aqui pois lá ela atira para matar e é apoiada pela Justiça e as autoridades.Da maneira como está no Brasil é que não pode. Um dia quando descobrirem o verdadeiro modo de proceder já será muito tarde. Quando vamos agir como verdadeiros policiais?

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  2. PAULO SÉRGIO

    Meus parabéns pelo o artigo.Essa é a pura verdade que nós Policias seja ele Militar ou civil estamos vivendo,mais tendo um Pais Governado pelo PT diga-se de passagem o Mensalão e o Estado pelo PSDB quem é de Viçosa não se supreende com quem nunca fez nada na vida como nosso Governador.

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  3. Luiz Alfredo

    Prezado Flavio Saraiva,
    Desde o início da falácia do desarmamento era sabido que a violência dobraria à exemplo de países que já haviam tido a brilhante ideia,não bastando esse equivoco foi utilizada pelo governo federal a frase:”Quem usa arma é polícia ou bandido”ou seja marginalizando Juízes,Promotores e outros profissionais que não são bandidos nem policia.
    Achando pouco os perseguidos pela ditadura militar , abusaram do coitadismo dando carga total nos direitos humanos e satanizando a PM pelo simples fato de ser militar.A polícia civil bem como a PF,não recebem investimentos necessários e ao contrário o crime se organiza e se reinventa a cada dia.
    Hoje somos vítimas da ditadura socialista que prega a distribuição de misérias além da política do entreguismo massificando bordões: Não reaja, entregue tudo , vão-se os anéis e ficam os dedos,hoje foi assassinado um cidadão comum…A polícia não é a Geni e nunca será, a Geni e a PresidANTA, pois se no código penal não existe o termo homens de bem existe sim, bons costumes que a um bom tempo não é visto na política brasileira.SAUDAÇÕES.

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  4. Pedro Lima

    Prezado Delegado,
    Eh chocante e de uma insensatez profunda tudo q esta acontecendo no nosso Brasil. Acho que perdemos por completo a noção entre o certo e o errado.Ontem, lendo o Editorial da Gazeta de Alagoas, não acreditei no q li. Havia um clamor e uma concordância com o que um Policial fez ao matar dois suspeitos de assalto a um Banco no bairro do Farol. Como não sei os fatos, mais pelo q li, não posso julgar. Ao mesmo tempo, em São Paulo, a Câmara de Vereadores ortogou ao soldado Vignoli q se recusou a atirar nas pessoas q depredaram o Palácio da Justiça em SP, o título de cidadão honorário e o trataram como um herói. Como pode dois fatos tão distintos estarem tão ligados? Na minha opinião, o soldado que se recusou a cumprir seu dever no vandalismo em São Paulo, deveria ser punido por não cumprir o trabalho p o qual eh pago c dinheiro público. Quanto ao Policial apaisana em Maceió q atirou nos dois suspeitos, deveria ser investigado p se ter certeza de que ele fez o trabalho de Policial e não de justiceiro. Estamos chegando ao ponto de ebulição social onde a anarquia e a falta de segurança serão a regra.

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