Policifobia
   Flávio  Saraiva  │     11 de novembro de 2013   │     6:50  │  10

POLICIFOBIAEntidades de classes representativas dos militares de Alagoas contabilizam o homicídio de 08 companheiros policiais em menos de 02 meses, concluindo que são vítimas de caçada praticadas por bandidos que combatem no dia a dia. As manifestações classistas estão longe de alcançar a mesma repercussão dada às classes consideradas minorias que, por menores que sejam, são mais numerosas que os valorosos policiais.

O homicídio de um morador de rua pauta a mídia com manifestações de entidades protetoras de direitos humanos, organizações quase não governamentais, políticos e autoridades. Quando a vítima é integrante de movimento social a cobrança se dá com invasão de órgãos públicos, bloqueio de rodovias, centenas de faixas e cartazes, queima de pneus, contagem de prazo na apuração e a data do crime, dependendo da visibilidade da vítima, passa a ser referencial de luta. Homicídio que vitima integrante LGBT é logo tipificado como homofobia. Homicídio que vitima policial o que é?

A temporada de caça ao policial denunciada pelas entidades classistas é atribuída às escalas de serviço que maximizam a exposição dos militares, responsáveis por centenas de prisões de criminosos que não passam muito tempo na cadeia. O curto período no cárcere estimula criminosos à reincidência e, pior ainda, à prática de crimes mais ousados e violentos. Na ousadia bandida o grau máximo é matar policial, ação que é condecorada com a tatuagem de palhaço no corpo, cada vez mais visível nas apresentações de quadrilhas. Não faz muito tempo, um traficante fora apresentado junto com sua quadrilha ostentando a tatuagem do palhaço ladeada por um revólver, acredito que objetivava não deixar dúvida de sua letalidade.

Policiais que investigam e prendem matadores de seus companheiros de trabalho são logo acusados de tortura e enfrentam a dura sensação de que os papéis estão invertidos, o criminoso passa a ser vítima e o investigador o criminoso, triste realidade que macula a carreira de muitos profissionais da segurança pública. A inversão é tão desproporcional que policiais rogam por apenas ter os mesmos direitos que os criminosos têm, pelo menos à dúvida.

Quanto mais desenvolvido o país mais valorizado é o policial, e sua morte é muito sentida, principalmente quando no cumprimento do dever, acompanhada de cerimonial dispensado aos heróis nacionais. Aqui, vale a máxima de que polícia perto incomoda e longe faz falta. Será que vivemos um sentimento de repulsa e desvalorização do policial?

Já imaginaram o que aconteceria se no mesmo período fossem assassinados 8 médicos, 8 engenheiros, 8 professores, 8 jornalistas, 8 políticos, 8 integrantes de qualquer outra classe?

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COMENTÁRIOS
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  1. Gilberto Liberal

    Parabéns ao nobre amigo Flávio Saraiva pela matéria, realmente todas as outras classes são julgadas mais importantes que a classe policial, seja no que diz respeito a vencimentos ou valorização da vida. A sociedade está sempre pronta a se colocar contra a polícia, até mesmo diante da aplicação da energia necessária para conter os infratores da lei, mas ningém se manifesta em defesa do enrijecimento da legislação e dos direito dos policiais, que diaramente arriscam suas vidas em defesa desta mesma sociedade.

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  2. Nivaldo Aleixo

    Grande aquisição por parte da Gazeta, além de ótimo profissional e companheiro, é um excelente blogueiro com vasto conhecimento. Parabéns Flávio! Que Deus continue a te iluminar.

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  3. Nivaldo Aleixo

    Profissional respeitado, grande capacidade e um dos melhores valores da Polícia Civil de Alagoas. Seremos brindados com seu vasto conhecimento na área de Segurança Pública. Parabéns a Gazeta! Flávio você é iluminado…

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  4. João Henrique

    Dr. Flavio sempre tive pelo Senhor grande admiração e respeito por tudo o que o senhor representa na polícia civil. Parabéns pela coragem de abordar esse tema de forma tão transparencia e direta. Hoje os direitos humanos só existe para os bandidos. Em qualquer país sério a polícia seria mais valorizada. Parabéns.

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  5. Pedro Tenório

    Meus amigos, quando um Juiz interdita uma Delegacia de Polícia, ele interdita a carceragem da Delegacia, a única preocupação é com a saúde dos presos, quanto à saúde dos policiais…?

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  6. CAP ROCHA LIMA

    PARABENS PELO TEXTO DEL FLAVIO SARAIVA, A POLICIA ALAGOANA PRECISA DE PROFISSIONAIS COM O SEU PERFIL,NAO ENTENDO O MOTIVO PELO QUAL O DEL FLAVIO SARAIVA AINDA NAO FOI NOMEADO COMO SECRETARIO DE DEFESA SOCIAL, NA VERDADE OS ALAGOANOS ESTAO CARENTES DE SEGURANÇA PUBLICA E NOS POLICIAIS ESTAMOS ENGESSADOS EM BUSCA DE UM CHEFE COM LIDERANÇA E CAPACIDADE PARA O DEVIDO COMBATE A CRIMINALIDADE.

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  7. Pracinha ruela

    Fico alegre em ver uma autoridade bastante competente e qualificado para exercer qualquer cargo e função nesse Estado, que não vive as custa de migalhas dadas pelo governo, semelhantes a esses coroneis dos quais sou subordinado, falar muitas vezes o que pensamos, mais que a mordaça do militarismo nos impede. Parabéns Sr Delegado Flavio Saraiva.

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  8. claudemir

    Muito boa matéria! É isso ;vejo uma forma de acabar com afronta ao poder público, pois quando se comete crime contra um policial se está praticando contra o Estado e, nestes casos se deveria ter uma punição como se tivesse cometendo crime contra a segurança nacional ,pois o policial representa o Estado e este por sua vez deve garantir a segurança da população, do povo , da nação porque estes entes constituem a soberania de um país.

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  9. Alberto Barbosa

    Os policiais ainda não atentaram para seu papel nessa sociedade oligárquica, onde uma minoria abastada comanda a distribuição de renda e legisla em causa própria. É a polícia que dá legitimidade aos governantes, defendendo-os da consequente revolta dos menos favorecidos, causada pelos desmandos e pelas omissões de quem tem poder para diminuir sofrimentos e nada faz, visto que tal atitude não traria lucro ou benefício. O policial é, e sempre será, desvalorizado e tratado como mercadoria descartável, pois, em sua função é mister a defesa de seus carrascos.

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